A mesma piada
Há um cara no prédio onde trabalho que tem a sina da mesma piada. Você pegou o elevador com o sujeito, ele larga:
- O certo é usar o de graça.
Eu indicaria essa expressão para quem ouvir:
...
E quando ninguém fala nada, insiste na conversa:
- Não tá sabendo que estão cobrando pra usar?
São 10, 20, 50 centavos os valores inventados, seguido de indignações e outros “É pra cabá!”, “Esse Brasil vô te contá!”, etc. É aquele tipo de discurso de louco. Uma mistura de “que merda é essa?” com o “que diabos você tá falando?”.
É a síndrome da mesma piada. O tipo de coisa que constrange mais do que a primeira visita a família da namorada, ou exibir um disco do Márcio Greycki com dedicatória.
O mau do bom humor é a repetição. E vira um tumor se é feito assim, indiscriminadamente, sem auxílio do bom senso, da linha de pensamento ou da dosagem de ridículo;
É a piada do pontinho, do saco da laranja, da cunhada na praia e algumas outras muitas que dizemos por aí todos os dias. E sem a noção do perigo que o repeteco representa.
Só que eu, ao menos, faço a política da boa-vizinhança: viro pro cara, arreganho a dentadura e quando desço no andar jogo fogo na piada:
- Fiquei sabendo de uma paralisação no quarto andar. Ninguém sobe, ninguém desce.
...
- É greve. "Esse Brasil é pra cabá!".
- O certo é usar o de graça.
Eu indicaria essa expressão para quem ouvir:
...
E quando ninguém fala nada, insiste na conversa:
- Não tá sabendo que estão cobrando pra usar?
São 10, 20, 50 centavos os valores inventados, seguido de indignações e outros “É pra cabá!”, “Esse Brasil vô te contá!”, etc. É aquele tipo de discurso de louco. Uma mistura de “que merda é essa?” com o “que diabos você tá falando?”.
É a síndrome da mesma piada. O tipo de coisa que constrange mais do que a primeira visita a família da namorada, ou exibir um disco do Márcio Greycki com dedicatória.
O mau do bom humor é a repetição. E vira um tumor se é feito assim, indiscriminadamente, sem auxílio do bom senso, da linha de pensamento ou da dosagem de ridículo;
É a piada do pontinho, do saco da laranja, da cunhada na praia e algumas outras muitas que dizemos por aí todos os dias. E sem a noção do perigo que o repeteco representa.
Só que eu, ao menos, faço a política da boa-vizinhança: viro pro cara, arreganho a dentadura e quando desço no andar jogo fogo na piada:
- Fiquei sabendo de uma paralisação no quarto andar. Ninguém sobe, ninguém desce.
...
- É greve. "Esse Brasil é pra cabá!".



