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sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Um capial na capital

O que faz um jovem capial na capital? Além de se perder?

A primeira vez que aportei em Floripa e senti nos pés a magia da ilha, senti também o suave desespero de estar no meio de muitos e se sentir sozinho.
No interior isso não existe. Aliás, não existe nem o “circular”. A magia de morar no interior deve ser essa: estar perto de tudo.

É estranho estar acostumado a dar dois passos e chegar à padaria. Aqui dou dois passos e só o que consigo é sair do condomínio.

Que ônibus eu pego pra chegar no centro? De onde venho eu pegaria o “toda vida reto”. Mas aqui o negócio muda e o que lá, se dizia, aqui, vira dito.

No primeiro dia em que me vi sozinho - e tive de ir para casa comigo mesmo - , passei o aperto digno dos cachorros caídos da mudança. Somado a isso os seus aspectos magros, já que no crepúsculo, nem na padaria havia passado.

Errei o caminho de casa e fui parar num terreiro de candomblé! (ou umbanda. Que me perdoem os entendidos).

Na verdade, quando me aproximei dos barulhos de tambores, achei que estivesse ao pé da porta de alguma escola de capoeira. Pois agora. Os barulhos me lembraram isso. E foi o que me passou quando liguei pro meu amigo.

- William, onde eu tô?
- Como assim, onde tu tá? Vou saber onde tu tá!?
- Tem uns barulhos aqui perto de mim. Acho que é capoeira.
- Que? Tem um bairro com esse nome, vai dizer que tu foi parar lá?
- Pessoas falando em coro. E música estranha.
- É uma academia?
- Academia?...
- É a academia Racer?
(Daí foi quando eu li a placa do terreiro)
- Bem, pode ser que estejam malhando o Exú, talvez.

Sei que existem histórias e cidades bem maiores aonde se perder. Aceito sugestões. De histórias, porque de como se perder eu já sou hours concours.

Se você for um capial na capital, perdido entre os sulcos dos rachos do seu calcanhar, vai dar bem mais valor a qualquer achado. Ou se contente em comer o pão que o... o exú amassou.