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terça-feira, 20 de novembro de 2007

A vida alheia

Cada um faz o que quer da sua vida. Jesus já dizia e muito romano se deu mal. É regra fundamental, desde que respeitando as leis, pagando os impostos e aguentando as torturas. No entanto existem gentes que não se contentam em se resguardar. E até acham que o que fazem ou pensam deve ser propagado. Como um legado. Uma sina. Um desabafo.

As pessoas têm uma necessidade enorme de expor a sua vida pessoal. Daí quando alguém resolve dar pitaco nela, deploram e acham ruim. Não li em nenhum manual de psicologia, não falei com ninguém, nem me apoiei em pesquisas. É meio que uma constatação. Deliqüente, assim como os comentários que ouço.

No ônibus, por exemplo, pessoas falam de seus acontecimentos particulares como se a gente fosse obrigado a escutar.

“Aquelazinha vai se ver comigo, porque pensa que pode dar em cima do meu marido assim. Mandei ela tomar no *%$# e e disse que ele é só meu”.

Já escutei coisas piores sem me consternar, não sou pudico de maneira alguma. No entanto, o ouvido também não precisa ser o penico da vez.

Outra dia uma mulher pousava no colo um livrinho. O cabeçalho da página em que ela estava era “O seu signo é o amor: conselhos para casamentos, namoros e romances”. Estiquei o pescoço para ler as entrelinhas e entender o que aquela pessoa procurava com aquilo. Olhei rapidamente para o rosto melancólico dela. Entendi alguma coisa.

Daí foi que vi que estava preocupado demais com o que os outros estavam falando... e principamente, pensando.

“Campanha pela vida: cada um cuida da sua.” E deu.