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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Senta no colo dele

Incrível como entra ano e sai ano, as crianças ainda sentam no colo dele. Ele é místico e tem aquela aura de encantamento que a infância tanto procura. Ao mesmo tempo que pode assumir a fisionomia do Michael Myers da série Halloween e provocar choro e ranger de dentes. Só é bom ficar alerta para ninguém puxar a barba, porque é o tio Afrânio o barrigudo de vermelho.

Ser um Papai Noel deve ser uma vocação. Eu percebo isso pelos gestos e olhares dos papais noéis dos shoppings e supermercados. Eles querem fazer aquilo ser verdade. Sentados naquela cadeira parecida com um trono, pequenos ao seu redor e flashes de fotografias retratanto um espaço/tempo que vai ficar vivo na memória, pelo menos enquanto o significado perdurar.

Os noéis, da forma que for, precisam existir. As crianças, da forma que for, precisam acreditar em alguma coisa.

Que deixem para enfrentar a vida de frente, e saber que é o tio Afrânio por debaixo daquela barba e da pança de cerveja no momento certo. E com as armas certas contra um futuro, vá, lá!, muito incerto.